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CONHEÇA OS REMÉDIOS TARJA PRETA

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Os ansiolíticos benzodiazepínicos, parte 1: como prescrever (para os médicos) e como se deve aceitar tomar (para os pacientes). O que são essas medicações chamadas de ansiolíticos? O que significa essa palavra estranha benzodiazepínico? Como o assunto é vasto, preferi publicar sobre esse assunto neste blog em duas partes. Esta é a parte 1.

No geral, chamam-se de ansiolíticos benzodiazepínicos aqueles remédios prescritos pelo médico em receituário azul, aquele que se assemelha a um cheque, e cuja caixa vem com uma tarja preta com os dizeres “o abuso deste medicamento pode causar dependência”. E será que isso é escrito à toa? Não é, mas infelizmente nem médicos seguem essa regrinha. Muitos médicos prescrevem de forma abusiva e, mais uma vez infelizmente, tornam-se parte das causas para a formação de uma massa de pessoas que não conseguem mais lidar com os sentimentos mais humanos. Isso é o que se pode chamar de medicamentalização dos sentimentos, sobre a qual tratarei na parte 2 aqui no blog.

Então, como se deve prescrever e como você, que está necessitando de um tratamento medicamentoso para algum transtorno psiquiátrico, deve aceitar tomar?

Se a queixa principal for insônia, primeiramente deve-se investigar sua causa, que pode ser desde uma origem primária no próprio sono fisiológico, que é mais raro, passando pelos transtornos psiquiátricos os mais diversos, até distúrbios que afetam a respiração durante o sono. Podemos escrever mais sobre o tema do Sono em outra postagem uma vez que é bem vasto. Mas já posso alertar que, se você ronca (geralmente é o cônjuge ou outro familiar a dar tal informação), melhor ser primeiro avaliado para investigar a síndrome de apneia obstrutiva do sono. Assim, tomar benzodiazepinico pioraria a condição do ronco e da apneia. Assim, não se deveria prescrever de antemão esse tipo de medicação se há história de roncos durante o sono.

Quanto aos transtornos psiquiátricos em geral, incluindo os transtornos ansiosos os mais diversos e os depressivos, deve-se lembrar de que os ansiolíticos não são medicações a serem prescritas como primeira escolha para tratamento mesmo de quem está sofrendo por um transtorno ansioso. São os chamados antidepressivos as medicações de primeira escolha para o tratamento com vistas à remissão dos sintomas ansiosos. Percebam que, apesar do termo, tais medicações não melhoram somente as pessoas com transtornos depressivos, mas é o tratamento que reverte o estado ansioso patológico. Portanto, os ansiolíticos, apesar do significado desse termo, não tratam os transtornos ansiosos, muito menos os depressivos. Os benzodiazepínicos apenas funcionam como sintomáticos (ou seja, melhoram alguns sintomas), mas não revertem um estado ansioso patológico de alguém ao seu estado de funcionalidade padrão. Portanto, não se deveriam prescrever ansiolíticos por mais que três meses para a grande maioria dos pacientes. Todavia, ainda hoje, há uma tendência de os médicos prescreverem tais medicamentos como primeira escolha e por longos períodos, esquecendo-se de investir-se justamente nos antidepressivos, muitas vezes prescritos em doses insuficientes para a remissão do quadro clínico do paciente. E acabamos por observar na prática clínica diária, tanto no consultório privado como no serviço público de saúde, uma grande quantidade de pessoas tomando benzodiazepínicos por meses e, principalmente, anos a fio, e, obviamente, ainda em sofrimento psíquico cronificado.

Na prática médica geral, hoje em dia, e considerando a evolução na psicofarmacologia, não há espaço para uso rotineiro e crônico de ansiolíticos benzodiazepínicos. São medicações ótimas quando utilizadas pelo tempo em que elas realmente agem como ansiolíticos, que são apenas poucos meses. Não é à toa, portanto, que sua venda em drogarias e sua dispensação no serviço público de saúde só podem ocorrer com a retenção do “cheque azul”.

Publicado em: 20 / Jun / 2018

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